Diário de leitura
Estou lendo o livro diário do hospício /o cemitério dos vivos de Lima Barreto. Confesso que no começo do livro achei muito confuso a forma que ele escrevia e se expressava, achava que era realmente um livro de um surtado. Ele começa nos contando como é o hospício, como ele é tratado pelos "anfitriões'', fala das coisas que são dadas a ele em sua estrada no lugar e isso não parece muito amigável após isso fique sabendo um pouco mais dele e sua vida antes desse delírio que o fez ser levado ao tal lugar, Lima barreto já havia tido outras crises, uma em ouro fino e levado a santa casa em 1916 e em 1917 foi recolhido pelo hospital central do exército tudo isso pelo álcool,
Na noite de 25 Lima Barreto dormiu no pavilhão, dormiu muito bem pois na noite anterior tinha gasto sua noite andando as segas de seu delírio, quando levantou foi ao médico, que lhe tratou com indiferença. Logo já foi enviado para baldear a varanda é logo foi mandado ao porão lá conheceu o roxo, um homem que simpatizou bastante.Lima foi direcionado ao seu quarto e desta vez acompanhado por um guarda e logo percebeu o vestuário da camas e faz um grande comentário sobre as os fatos da pobreza que lhe lembrava a estas camas (aparentemente ele era um homem muito detalhista).
O hospício é bem construído, com bem acentuados cuidados higiênicos, tudo é claro, bem arejado, e lembra muitas coisas boas. bom... ele para aqui, não pode deixar de consignar a singular mania que têm os doidos, principalmente os de baixa extração.
(31/07) II. Na Calmeil
Neste capitulo Lima entra na Seção (seção dos pensionistas)entra em contato com um velho inspetor português conhecido de seu pai e que conhecia lima desde seus nove anos, junto com o pai de lima barreto foi nomeado escriturário das colonias da ilha de mesquita, tendo funções sempre muito importantes, sendo árduas, eles ficavam em uma sede de administração bem longe e tomava conta de uma centena de loucos.
Como disse antes lima barreto era um homem de detalhes portando, ele percebe detalhadamente o como era a Seção, em suas palavras ele diz ''...um curral de pedras, que mais parecia uma fortaleza, e um enorme pombal, alicerçado em pedras mas construído com tijolos enormes e bem queimados...'' após lima nos conta o quando gosta dos homens do hospício, os portugueses, brasileiros, ele admira os homens mais rústicos, todos que, da mais humilde extração urbana pudessem ter tanta resignação, tanta delicadeza relativa para suportar os loucos e suas manias. nem todos são insuportáveis na maioria são obedientes e doceis, mas os poucos rebeldes e aqueles que se enfurecem, são de perder a cabeça.
Lima em seu oitavo dia na caimeil diz que raro é o seu hospede(acredito que de quarto) que não se pode trocar um pouco de lazer como conversar ou jogar. isso faz falta é uma coisa que os loucos e internados no geral fazer muito bem, conversam pilheriam, mas é claro que tem aqueles que é melhor a distancia, podem dar uma resposta hostil e inesperada. acho interessante pois são conhecimentos que talvez nunca teremos a oportunidade de vivenciar e aprender.
(07/08)III. a minha bebedeira e a minha loucura
Este com certeza é o meu capitulo favorito do livro,é quando Lima Barreto conta um pouco mais da sua história e a interferência da loucura em sua vida. Ele começa o capitulo dizendo que está num lugar cercado por pessoas que ele não entende, que está cercado de pessoas delirantes que ele mal compreende. Nisso se lembra de um médico, amigo da família que tratava de loucos, este homem deu um livro a Barreto logo após ao adoecer de seu pai, o livro de Maudsley, ''o crime e a loucura''
Lima se impressionou com o livro e prometeu lelo de novo, no livro o autor dava alguns conselho de como poderia evitar a loucura e no meio de alguns conselhos estava o mandamento de não beber alcólicos, e o próprio diz que fez mal ao não cumprir com esse fala. Mas como diz, ele tinha uma razão para beber, lima era tomado por um pressentimento, um medo sem explicação de uma catástrofe, e o que menos ajudou foi a falta de dinheiro para pagar o enterro de seu pai. Com esse aborrecimento de estar sempre ser recursos se rendeu a bebida, noitadas, amanhecendo na casa de um ou daquele.
Barreto diz que sua casa o aborrecia, que era triste e este fato muito era por que seu pai delirava, mas teve um lugar bom, já teve uma casa boa,- foi na ilha do governador, plena roça,comida boa e tudo mais, mas ele resmungava- diz barreto
No começo havia muito dinheiro na família, entre eles a cerveja era o forte, mas a cachaça apareceu e se tornou algo essencial, Barreto bebia desbragadamente e estava bêbado desde cedo da pós falir foi dado o conselho de escrever uma nova obra, as dividas nunca conseguiam sumir da vida do autor. Quando a obra foi lançada no jornal, ninguém leu, só foi ter sucesso quando foi posto em forma de livro, mas Barreto já não tinha muitas esperanças pois sabia que ninguém o bancaria para as edições e etc.
Bebeu cada vez mais, e, dentre varias aventuras,a algumas humilhantes, parando algumas vezes na delegacia de polícia, ouve uma que até sua morte não conseguiu desvendar. uma mulher que foi mandada para ajudar Lima Barreto quando estava muito bêbado tendo que andar pendurado a seu amigo, a mulher havia dado um vidro de amônia e chamado eles para cuidar de Barreto em casa. Isso prova que boa almas existem.
Terminando o capitulo, Barreto conta que o motivo que viram para ele ser internado foi pela alucinação, um dia estava alucinando na rua, o cataram e levaram para a casa de um parente, que, o mandou diretamente para o hospício. Diz ele que não sairá mais e que quando entrou no hospício não estava em surto, mas havia andado sozinho na noite passada. Antes ele insultava, gritava, gesticulava, descompunha. Isso traz a reflexão, será loucura ?
(10/08) IV. Alguns doentes
''Que dizer da loucura?'' Lima Barreto nos dá essa pergunta e, logo em seguida escreve que não temos um impressão geral dela, são casos individuais, que não da a aparecer uma relação de parentesco muito forte. Lima diz que tem vários, aqueles que deliram, que se concentram num mutismo absoluto. Neles podemos perceber bem a perplexidade deles em face de tao angustioso problema de nossa natureza.
O autor da muitos exemplos, mas a alma do parágrafo é a mesma, existem infinitos tipos e formas de loucura, podemos separar em graus por exemplo, ou até mesmo a quantidade de imaginação que carrega o individuo. Como Lima diz, a ciência é o meio da ''razão'', os médicos mundanos ainda gritam nas salas diante das moças embasbacadas, mostrando os colos e os brilhantes, que a ciência pode tudo.
Barreto conta sobre um doente,a quem se refere como F.P., é como se fosse um mistura, de amor e a presunção de inteligência e saber. é muito barulhento e rixento, ganha de todos os outros, compra briga com todos e, na mesma facilidade que tem para relutar e brigar tem para se juntar e abraçar os mesmos que foram ''atacados'' pelo tal. Parece uma coisa muito complicada isso, tanto que no livro nos contam que uma grande quantidade de jornalistas e etc se interessavam muito por esta ''pornografia'' uma coisa que em sua visão, era obscena.
Dentro do capitulo Lima escreve sobre vários casos bem curiosos e que (na minha visão)vistos por uma pessoa ''normal'' ou que não tivesse o minimo de conhecimento na área eram totalmente julgadas e isoladas. Isso é realmente triste, pois, da mesma forma que não podemos escolher nossos nomes eles não podem escolher sua fora mental. Gostaria de mais respeito! e não julgamento.
No livro há dois parágrafos que dizem algo parecido(no sentido de falta de conhecimento) um homem visita o hospício e como alguém sem muito conhecimento fala que é bom encontrar alguém com que se pudesse trocar alguma palavra, sendo que, até mesmo os loucos e surtados tem um momento de lucidez e na minha opinião é um grande desrespeito ignorar isso, muitas pessoas surtam mais ainda quando ouvem algo assim, pois, no fundo elas sabem que não foi opção estar assim e sabem que na maioria dos casos não podem voltar na sua forma mental anterior.
(21/08) V. Guardas e enfermeiros
Este capitulo for muito confuso para mim, uma leitura um pouco cansativa e entediante, portanto peço desculpa pela resenha rasa.
Começa dizendo sobre alguns dos pretos, um que lê o que vê pela frente, sendo silencioso e com vestes de trapos e o outro, que da mesma forma vive, a diferença é de que este sai para as refeições a correr. Lá também tinha um o guarda rondante, que, segundo Lima era um velho português paciente e energético , que não havia um pingo de mau humor. o que assombrava nos portugueses negros é que, sendo homens humildes, de fraca educação e etc se possam conter, abafar os ímpetos de mau humor, de cólera, de raiva que o procedimento dos doentes provoca.
Lima Barreto continua falando sobre outros pacientes, e junto com os comportamentos péssimos dos funcionários, claro que tinham os bondosos e atenciosos, mas a maioria era bem ignorante com os doentes.
Quase no final do capitulo o autor nos traz um comentário um pouco mais profundo e pessoal, ele diz que, desde a entrada na escola politécnica vem caindo de sonho em sonho e nesta corrente a vida não tem mais sabor para o próprio; diz que não quer morrer, apenas trocar de vida e esquecer tudo o que viveu, mesmo com a perda de certas qualidades que tinha, queria que fosse plácida, serena, medíocre e pacífica, como a de todos. Ele se indagou, se, por acaso não era amor que o corroía. ele viu que não, pois passou a idade de telo e passou tempos fugindo dele, para que não criasse sofrimento e não prejudicasse a sua ambição de glória.
Achei muito interessante essa abertura que barreto nos dá, e é realmente um pensamento que vai entrar na cabeça de muitos, e como qualquer coisa infinita, não vai ser parado.
(21/08)VI.
No capítulo Barreto começa o dia de uma maneira tediosa e nos traz uma curiosidade sobre Plutarco, que, põe muito a intervenção dos deuses nas proezas felizes de seus heróis. No almoço percebeu que havia um paciente que ao acaso não parecia um ''louco'' como os outros. Já que era sem um membro inferior o apelidaram de caranguejo, lá há o gosto pela alcunha depreciativa como:gato, teteia e etc
.
Naquele mesmo dia ouve um alvoroço no almoço, no hospício tinha muitos loucos perseguidores e ao notar um deles Caranguejo atirou alguns copos na cara, não acertou, mas da mesma forma foi para cima e o perseguidor se encolheu de medo e se tremia. O pobre Caranguejo teve um ataque de nervos, rasgou suas roupas e quase chorando disse ''eu não sou nada! Nada! Ponha tudo isto fora!'' deram-lhe uma injeção, e o resto foi proibido de jantar. Os dois foram punidos e Barreto em uma reflexão semelhante de lembra de seus parentes, que o trancaram ali e a ilegalidade da policia que os ajudou.
Todos os médicos temem por um doente na rua, isso pela falta de conhecimento, muito prevê (diz Lima Barreto). O autor vê uma semelhança entre os doentes presos com as mulheres caseiras, é como se solt@s pudessem ser melhores, felizes, ter escolha já trancado tanto em casa como em um hospício traz mal humor, tristeza, angustia e por aí vai.
Quase no final do capitulo o autor nos conta sobre os guardas, figuras que os pacientes tem certeza de que um é louco, tem alucinações, nisso podemos entrar na crença de antigamente, as pessoas acreditavam que a loucura passava isto é, trabalhadores destes locais que abrigavam esse tipo de gente eram considerados também loucos, alguns eram até mortos (nos conta Barreto). No final do capitulo tomamos a ciência de que Barreto conhece a todos, loucos, médicos de loucos, há perto de trinta anos e fio muito que a honestidade de cada um não lhes permite dizer que tenha curado um só. Amaciando um pouco, tirando a brutalidade do acarretamento, das surras, a superstição de rezas, exorcismo bruxaria etc., o sistema de tratamento da loucura naquela época ainda era da idade média: o sequestro, não a dinheiro nem homem que rebateria a loucura, mas, como diz o autor a loucura zomba de todas as vaidades e mergulha todos no insondável mar de seus caprichos incompreensíveis.
(22/08) VII.
O Rio de Janeiro, um lugar maravilhoso, descrito pelo autor de uma maneira esplêndida, com a natureza impecável, as belíssimas paisagens criadas pela própria, um deslumbre. Mas dentre maravilhas temos os idiotas, que apelidam espaços de maneiras horríveis, como a Enseada Almirante Batista das Neves, só falta um doutor. Nunca se viu tanta atonia, tanta falta de iniciativa e autonomia intelectual. é só um bando de gente que só quer ver doutor em tudo, e isso cada vez mais se justifica, quanto mais doutores se desmoralizarem pela sua ignorância e voracidade de empregos.
Lima Barreto diz que se arrepende de tudo, de não ter sido um outro, de não seguir o caminho batido comum, e que esperou sucesso aonde todos fracassaram. Tem orgulho de ter se esforçado para realizar seu ideal; mas lhe aborrece não ter sabido concomitantemente arranjar dinheiro ou posições rendosas que o fizera respeitar. No hospício não lhe falta o básico para a vida mas lhe falta o básico para a alma e a mente, a luz , ar, liberdade. Não tem seus livros a mão, sua casa , o delírio de sua mãe. Assim jura sair de lá.
Os outros deliram ao seu redor, se não chora é para que não o julguem totalmente louco. a pouco seu irmão veio e, nos primeiros dias um amigo, mas dos que vieram velo da primeira vez que esteve la, nenhum. Se demorar mais tempo o autor ficaria sem cigarros, sem sua roupa, ficaria como o Gato e Ferraz, que no hospício envelheceram, trocando pão por fumo e etc.
O autor se inspira pelas coisas que o cercam e os seus ridículos, o interessa e davam vontade de reproduzir no papel e descreve-las a sua alma e particularidades. Ao mesmo tempo é levado para o estudo das sociedades, do destino, e é capaz de emocionar diante das coisas e da natureza . Nunca poderia ser sociólogo, historiador, não seria romancista. Faltou a ele o amor ou ter amado. Sua mulher, Barreto não soube ama-la na vida e não pode amar na morte.
Naquele época Lima Barreto falava que já havia vivido dois terços de sua vida, o que mais o angustiava era o dinheiro, uma coisa que desprezou por um bom tempo junto com outras coisas e agora estes se vingam naquele atualidade. Senti-se impotente, por isso os obstáculos invencíveis. Não o quisera curvar, revoltou-se, portanto mais de uma vez foi obrigado a pedir pequenos favores humilhantes aos amigos. Curiosa independência diz o autor.
(25/08) VIII.
No capitulo, Lima Barreto começa nos contando que há uma biblioteca, e lá no fundo uma pequena sala, equipada com peças antigas de decoração, algumas já estavam ali desde antes. havia muitos livros curiosos, como: uma obra em dois volumes sobre as finanças de Colbert, Félix Joubleau, Doniol, Histórias de classes sociais na França, um romance de Pedro o Grande, e entre outros. Esse lugar era comodo e agradável, com uma bela vista para a enseada ainda com navios que se levavam mar a fora. Lima nos passa uma sensação de prisão quando fala ''orgulhosos de sua liberdade, mesmo tangidos pelos temporais'' acho que pelo jeito que ele escreve, é como se nos dissesse que a única fuga que ele podia ter, era dentro dos livros e suas próprias memórias.
O autor também se lembra de quando era pequeno, toda vez que saia do internato seu pai lhe presenteava com um livro, comprado ainda no David Corazzi, ele ganhara sempre mais um volume de Jules Verne, que foi sua paixão e exemplo, e principalmente o culpado por plantar uma alma aventureira imortal em Lima Barreto, o próprio diz que nunca gostou de livros fantásticos, mas sim aqueles que tinham como cenário um lugar esplêndido. A obra ideal de sua vida (segundo o autor) foi vinte leguas submarinas, sonhava com isso, sem relação sentimental alguma com o planeta, vivendo em seu sonho, no mundo estranho que não compreendia a mágoa, sem luta, sem abdicação, sem atritos, no meio de maravilhas.
Voltando aquele pesar, de como sua vida podia ter sido diferente, Barreto nos relata o trágico fato de não tem aproveitado a cidade, mais especifica o mar; Vivia em uma cidade marítima, sem ir v-lo ou contemplá-lo. Isso é realmente triste pois ainda mais em nossa realidade, precisamos aproveitar a natureza o quanto antes, pois, daqui para frente ou a salvaremos ou a perderemos, que será algo provavelmente sem retorno próspero. Ele se lembrava disso enquanto se vidrava com a vista ao seu redor e as lembranças materiais que poderia sem um estimulo de lembrança.
Lima Barreto não conseguia mais se concentrar em seus livros, era muito barulho, alguns alucinados não paravam com os ruídos, assim expelindo o autor do ambiente, suas leituras passaram a ser no seu quarto, onde tinha a paz que necessitava para se concentrar e refletir. Sorvia sossegadamente o seu Plutarco, ele nota que os heróis sempre são felizes, e essa não e a realidade. ''As leis são como as teias de aranha que prendem os fracos e pequenos insetos, mas são rompidas pelos grandes e fortes'' diz um antepassado dos bolchevistas; essa frase explica muito o jeito que vivemos, os ''maiores'' sempre quebrando as leis e regras simplesmente por que são os maiores, Lima Barreto até complementa dizendo que os nossos milionários e políticos não pagam os impostos, e muitas vezes os ''menores'' quando são alugados (faxineiros, babás, trabalhos terciários em geral) são os que são presos, por fazer o necessário (minha opinião se mistura nessa frase).
No fim do capitulo, é nos dividido uma briga (como se não fosse tão comum), um dos doentes do hospício furta um lápis do autor, e aquele mesmo não era bem visto pelo próprio, além de irritante, em sua loucura havia muita impostura. Outra briga foi por causa da loucura. Um homem bem preto, robusto que imaginava que todos estavam no exército, puxou briga com o Gato, que mesmo sendo mais velho não deixou de agredi-lo com força.
(26/08) IX.
Lima Barreto deixa o dormitório como um lugar de leitura e volta para a biblioteca, pois assim como os loucos de lá o atrapalhavam estes também. O autor conta sobre alguns dos pacientes, e comenta que no hospício não viu nada semelhante. Os loucos pareciam para ele pouco emotivos, e quase todos eles se queixavam dos seus parentes e das suas mulheres. Acho isso bem interessante, por que até mesmo pelos contos que Lima nos compartilha, a maioria, antes de chegar no hospício, acabam tendo algum problema com a família, e mesmo assim, poucos se lamentam sobre (isso na visão de Barreto). Em sua convivência com os loucos, dois ou três viu chorar.
Um desses que chorava era um que dormia a direita de Lima Barreto, ele chorava no salão onde tinha a mesa de bilhar e lastimava por conta das alucinações, se alguém caçoasse ele se retinha e respondia, ''o senhor nada deve observar-me porque não sabe quais são os meus sofrimentos.''
Como o autor contava, voltou a biblioteca para ler, por conta de seu companheiro de dormitório; Barreto tentava evitar ele, era difícil pois sempre estava pedindo algum pequeno favor mas aos poucos foram se envolvendo e travando conversa e conhecimentos mais profundos. Era um rapaz pálido, de feições delicadas, franzino, que vivia com um lenço molhado na cabeça. Uma noite ele gritou, estava delirando, que estavam queimando sua cabeça, Lima atinou logo com seu delírio, e depois o rapaz explicou todo o seu sofrimento imaginário, fazendo questão de que o autor escrevesse e tirasse nota do que ele expusesse.
Após contar a Barreto o homem não o deixava em paz, nem ler o jornal o autor conseguia, chegou uma hora que Barreto teve que fugir e foi para a biblioteca. E leu ele o doutor Jousseaume um livro sobre a geologia e a fisiografia do mar Vermelho, no maior sossego pois eram apenas dois loucos dos menos malucos.
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